Publicado em 30/03/202630/03/2026Sugerido pelo facto de os primeiros cristãos ainda trazerem oferendas de pão, vinho e outros alimentos para a Eucaristia, tanto para uso eucarístico como para distribuição pelos pobres, e como resposta ao dualismo gnóstico e à negação da importância geral do mundo material, o “sacrifício eucarístico” passou a ser visto como de alguma forma incorporado nessas “oferendas” materiais. Assim, a anáfora da Tradição Apostólica pode referir-se ao pão e ao cálice como as “oblações” que a Igreja agora “oferece”. Ao mesmo tempo, Cipriano de Cartago estabelece um paralelo entre o próprio sacrifício de Cristo e aquele que é oferecido na Eucaristia pelo “sacerdote”, “que exerce o ofício de Cristo”, e afirma que este último é feito “em comemoração” do primeiro.A este respeito, é preciso avançar com cautela. Estudos recentes defendem que o uso inicial da terminologia sacrificial na Eucaristia foi uma tentativa deliberada de subverter completamente o significado religioso do sacrifício e afirmar que o sacrifício cristão não é um sacrifício cultual, mas antes a “oferta” de louvor e acção de graças que conduz e expressa a vida sacerdotal da comunidade no seu serviço ético aos pobres e em resposta grata pelos dons de Deus. O que é “oferecido” na Eucaristia, então, é o que o Novo Testamento nos ordena que Jesus ofereça: a memória da sua própria auto-oferta; é, a prática litúrgica da Eucaristia em obediência ao seu mandamento.Para além da sua celebração comum aos domingos, não é claro com que frequência a Eucaristia pode ter sido celebrada ao longo dos três primeiros séculos. A prática variava, sem dúvida, de lugar para lugar. Em alguns lugares, os dias de jejum cristão de quartas e sextas-feiras (Didaqué 8) podiam terminar com uma celebração da Palavra e a recepção da comunhão da Eucaristia reservada (Alexandria) ou terem-se tornado ocasiões para a celebração da própria liturgia eucarística (Norte de África).Existem também provas concretas de que os cristãos levavam regularmente para casa, aos domingos, partículas suficientes para poderem comungar noutros momentos da semana, prática que persistiria durante vários séculos tanto entre leigos como em meios monásticos.