Os escritos de Clemente são consideráveis em extensão e carácter. É difícil encontrar uma página sem uma citação bíblica. Além disso, Clemente faz constantes referências a poetas, dramaturgos, filósofos e historiadores gregos: ilustra-as com um passo de Platão, com versos de Homero ou Eurípides; reforça-as citando Heraclito ou Demócrito. Recolhe de uma multidão de autores menores, cujas obras se perderam, costumes gregos curiosos, absurdos ou imorais. Diz-se que refere mais de trezentos destes autores, dos quais nada sabemos.Alguns deles podem-lhe ter chegado através de excertos; mas não há dúvida da sua leitura completa de Platão e Homero. Tem uma sincera admiração por Platão e pelas suas ideias. Em geral, não se interessa pelas fontes, a não ser que lhe sejam úteis. Mas esta amplitude é sinal de uma mente grande e generosa, que acolhia a verdade e o bem onde quer que se encontrassem. Esta aceitação destemida da verdade de todas as fontes disponíveis torna Clemente não só importante para a sua época, mas também para a nossa. Deparou-se com um problema que regressa sempre: o problema de conciliar a verdade antiga com a nova. No século II, a Igreja já não era fraca, pobre e negligenciada; homens instruídos indagavam a fé e pediam o baptismo; mas traziam consigo uma herança cultural, desconhecida para os cristãos.Que relação tem ela com a fé cristã? Deve ser descartada como supérflua ou prejudicial? Ou será que todo o bem nela contido deve ser aceite e acolhido, como prova de que a revelação de Deus se estende a todos, gregos e judeus? O próprio Clemente converteu-se ao cristianismo com a mente imersa no conhecimento grego, e respondeu a esta questão com clareza e confiança: o conhecimento grego não deveria ser rejeitado.A filosofia era para os gregos o que a profecia era para os judeus; era, segundo ele, uma preparação de Cristo; abundava em vislumbres e prenúncios do ensinamento divino e não podia ter vindo do diabo. Era um digno objeto de estudo, e o subjacente exercício da razão humana não prejudicava a fé. Assim, Clemente, fundamentando-se na unicidade da verdade, estabeleceu as linhas de orientação sobre as quais a teologia cristã pôde avançar.

Os escritos de Clemente são consideráveis em extensão e carácter. É difícil encontrar uma página sem uma citação bíblica. Além disso, Clemente faz constantes referências a poetas, dramaturgos, filósofos e historiadores gregos: ilustra-as com um passo de Platão, com versos de Homero ou Eurípides; reforça-as citando Heraclito ou Demócrito. Recolhe de uma multidão de autores menores, cujas obras se perderam, costumes gregos curiosos, absurdos ou imorais. Diz-se que refere mais de trezentos destes autores, dos quais nada sabemos.Alguns deles podem-lhe ter chegado através de excertos; mas não há dúvida da sua leitura completa de Platão e Homero. Tem uma sincera admiração por Platão e pelas suas ideias. Em geral, não se interessa pelas fontes, a não ser que lhe sejam úteis. Mas esta amplitude é sinal de uma mente grande e generosa, que acolhia a verdade e o bem onde quer que se encontrassem. Esta aceitação destemida da verdade de todas as fontes disponíveis torna Clemente não só importante para a sua época, mas também para a nossa. Deparou-se com um problema que regressa sempre: o problema de conciliar a verdade antiga com a nova. No século II, a Igreja já não era fraca, pobre e negligenciada; homens instruídos indagavam a fé e pediam o baptismo; mas traziam consigo uma herança cultural, desconhecida para os cristãos.Que relação tem ela com a fé cristã? Deve ser descartada como supérflua ou prejudicial? Ou será que todo o bem nela contido deve ser aceite e acolhido, como prova de que a revelação de Deus se estende a todos, gregos e judeus? O próprio Clemente converteu-se ao cristianismo com a mente imersa no conhecimento grego, e respondeu a esta questão com clareza e confiança: o conhecimento grego não deveria ser rejeitado.A filosofia era para os gregos o que a profecia era para os judeus; era, segundo ele, uma preparação de Cristo; abundava em vislumbres e prenúncios do ensinamento divino e não podia ter vindo do diabo. Era um digno objeto de estudo, e o subjacente exercício da razão humana não prejudicava a fé. Assim, Clemente, fundamentando-se na unicidade da verdade, estabeleceu as linhas de orientação sobre as quais a teologia cristã pôde avançar.