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Capela de Santa Marta

Capela de Santa Marta

Comunidade da Capela do Hospital de Santa Marta, em Lisboa

Categoria: Uncategorized

Publicado em 10/02/202510/02/2025

O homem, feito à imagem de Deus, deve fazer as coisas como Deus as faz, porque fazer bem as coisas é uma coisa bem feita.

O homem, feito à imagem de Deus, deve fazer as coisas como Deus as faz, porque fazer bem as coisas é uma coisa bem feita.

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  • O sexto episódio de Um Azulejo fora do Sítio é já no próximo Sábado, 18 de Abril, às 14h30, na Capela de Santa Marta. Estão todos convidados para hora e meia de boa conversa com Henrique Raposo que, a propósito de As Três Mortes de Lucas Andrade, nos conduzirá pelo teimoso território da esperança. Venham! Todos!
  • É já no próximo sábado que, a propósito de “As Três Mortes de Lucas Andrade”, vou estar à conversa com o Henrique Raposo. O Henrique, mais conhecido pelas suas colaborações com a SIC, Expresso e Renascença, é sobretudo escritor, autor de "Alentejo Prometido" e do já referido "As Três Mortes de Lucas Andrade" (Prémio Literário Camilo Castelo Branco 2025). Com um percurso marcado pela reflexão cultural e política, o Henrique partilhará connosco também uma dimensão pessoal menos visível: a sua relação com a fé, vivida entre a dúvida e a procura de sentido num mundo onde parece não haver lugar para o sagrado. A Capela fica no claustro do Hospital de Santa Marta. Uma vez que o espaço, apesar de generoso, é limitado, convém chegar com tempo.Sejam muito bem-vindos ao sexto episódio de Um Azulejo fora do Sítio.Venham! Todos!
  • Enquanto história constitutiva dé comunidade, a narrativa dialógica do Génesis é uma questão de sobrevivência. Ao lutar para estabelecer e manter a coesão interna do grupo, ela defende-se também de forças externas que pressionam para permear as fronteiras comunitárias e absorver a identidade do grupo — os soberanos, humanos ou divinos, que ameaçam confiscar os membros da família a seu bel-prazer, os amos que enganam para garantir mão-de-obra ou proteger os seus próprios interesses, os governantes que escravizam países inteiros por falta de pão. Algumas personagens (José) conspiram contra tais forças; outros aquiescem (Abraão, Isaac, Jacob); alguns desafiam (Tamar). Há breves confrontos armados e pelo menos um exemplo de combate corpo a corpo apaixonado, mas a maior parte da resistência assume a forma de artimanhas, a tática mais fiável do oprimido. A artimanha ganha a ronda, mas raramente a partida inteira. As pequenas vitórias trazem mudanças sociais, mas os efeitos têm um preço. Alguns batoteiros desaparecem de vista (Rebeca, Tamar) assim que atingem o seu objetivo, deixando os seus futuros pessoais em dúvida. Alguns trapaceiros provocam divisões irreparáveis entre potenciais aliados (Abraão e Faraó; Abraão e Abimelec; Isaac e Abimelec; Jacob e Labão; Jacob e Esaú; Jacob e os siquemitas). Alguns vivem apenas o suficiente para chorar os seus destinos infelizes. Captamos o último sussurro de Raquel: "filho da minha dor", e ouvimos Jacob declarar ao Faraó: "Curtos e turbulentos foram os anos da minha vida".Mas, independentemente do que as personagens façam, as próprias histórias executam as suas próprias artimanhas, oferecendo resistência na sua própria narrativa. São atores em si mesmos, produzindo pessoas e acontecimentos que convidam os leitores e ouvintes a identificarem-se, e não simplesmente a simpatizarem, com o seu mundo construído de dificuldades, fragilidade e possibilidades. Reúnem as comunidades de Yehud num único espaço narrativo, convocando-as a assumir os seus respetivos lugares na história e na sua narrativa, e encorajando-as a encontrar, criar e vocalizar uma identidade coerente, ao mesmo tempo que reconhecem as diferenças.
  • O domínio dos mitos presta-se às mais variadas perspectivas. De facto, os espíritos mais diversos apresentaram interpretações pois o mito parece permitir a validação de qualquer filosofia.Um historiador racionalista vê no mito um relato completo das mais célebres dinastias. Não é verdade que encontramos nos mitos a história de reis e reinados? Nessa perspectiva, poder-se-iam datar até os trabalhos de Hércules, ou traçar com detalhe o itinerário dos Argonautas. Para um linguista, parece claro que as palavras dizem tudo: as lendas, afinal, formam-se em tomo de uma locução. Uma única palavra deformada, eis um deus a mais. O Olimpo não é senão uma gramática que regula as funções dos deuses. Se heróis e deuses transpõem uma fronteira linguística, acabam por transformar um pouco o seu carácter, e o mitólogo tem de estabelecer dicionários que lhe permitam, contorcendo-se sob o génio de duas línguas, decifrar duas vezes a mesma história. Se, pelo contrário, se trata de um sociólogo, então o mito passa a manifestar um meio social, um meio em parte real, em parte idealizado, um meio primitivo, onde, num instante, o chefe é confundido com um deus.Todas essas interpretações, que poderiam ser estudadas ao longo de uma história, reavivam-se sem cessar. Parece que uma doutrina dos mitos não pode eliminar absolutamente nada daquilo que, durante um certo tempo, se constituiu-se tema explicativo. Entre o herói solar e o herói humano, por exemplo, a competição não foi nunca verdadeiramente extinta. A imensa natureza explica a natureza profunda do homem, e, correlativamente, os sonhos dos homens ''projectam-se", invencíveis, sobre os grandes fenómenos do Universo. E a mitologia toma-se uma sequência de poemas; é compreendida, amada, continuada pelos poetas. Há melhor prova de que os valores míticos permanecem vivos? E uma vez que os mitos acolhem as mais diferentes explicações, há melhor prova de seu carácter essencialmente sintético? De facto, na sua simplicidade aparente, o mito enlaça e solidariza forças psíquicas múltiplas. Todo o mito é um drama humano condensado. É por essa razão que todo o mito pode, tão facilmente, servir de símbolo para uma situação dramática actual.
  • As fontes históricas sobre as origens da Septuaginta são escassas. No entanto, a Carta de Aristeas afirma ser isso mesmo: um relato em primeira mão de um certo Aristeas, um cortesão da Alexandria ptolemaica do século III a.C., relatando os acontecimentos que resultaram na primeira tradução do Pentateuco do hebraico para o grego.A história começa com o rei Ptolomeu II Filadelfo e o seu bibliotecário real, Demétrio, a discutirem a necessidade de uma tradução da Lei Judaica para grego, de forma a completar a coleção da Biblioteca Real. Aristeas, o cortesão do rei e suposto autor do relato, aproveita a oportunidade e sugere ao rei a libertação dos escravos judeus em todo o Egipto, com o que o rei concorda.Afinal, este gesto garantirá a boa vontade da comunidade judaica em relação à iniciativa do rei. Após a troca obrigatória de cartas diplomáticas, o próprio Aristeas é enviado como emissário ao sumo sacerdote em Jerusalém para obter uma cópia fiel da Lei e uma equipa de tradutores altamente qualificados: setenta e dois anciãos judeus versados em hebraico e grego. São recebidos em Alexandria com um requintado banquete real, que se estende por sete noites consecutivas. Começam finalmente a trabalhar numa ilha, onde se reúnem diariamente para produzir a sua tradução colectiva da Lei. Após exactamente setenta e dois dias de trabalho, a tradução é apresentada à comunidade judaica de Alexandria e ao rei (por esta ordem), após o que os anciãos são enviados em segurança para casa.Só podemos imaginar a popularidade de que a Carta de Aristeas deve ter gozado: a sua versão dos acontecimentos foi adoptada tanto por Fílon de Alexandria como por Flávio Josefo), e daí em numerosas fontes patrísticas. Começando pelo relato de Fílon, a história foi enriquecida com acontecimentos surpreendentes ausentes na Carta de Aristeias. Por exemplo, enquanto no relato original a tradução foi o resultado de um trabalho colectivo, na versão de Fílon todos os setenta e dois tradutores, trabalhando em celas separadas, chegam à mesma tradução por intervenção divina. Este evidente milagre foi adoptado pela maioria dos padres da Igreja e passou a fazer parte do conhecimento cristão geral.

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  1. Maria Luisa Costa Sousa Neves em De Torradeiras e TchékhovPara Tomás de Aquino, o Deus Criador não é uma hipótese sobre a origem do mundo. Ele não pretende competir com a teoria de que o universo resultou de uma flutuação aleatória num vácuo quântico. Na verdade, S. Tomás ponderou até a possibilidade de o mundo não ter tido origem alguma. Dawkins comete um erro de categoria quanto àquilo que ele acha que a fé cristã é: imagina-a como um género de pseudociência ou como algo que dispensa de todo a necessidade de evidência. Alimenta também uma noção cientificista antiquada daquilo que constitui evidência. Para Dawkins, a vida parece dividir-se entre as coisas que se podem provar para lá de qualquer dúvida e a fé puramente cega. Não consegue perceber que as coisas mais interessantes não encaixam em nenhum desses lugares. Christopher Hitchens comete o mesmo erro grosseiro, alegando que "graças ao telescópio e ao microscópio, [a religião] já não oferece uma explicação importante acerca de nada." Mas o cristianismo nunca foi uma explicação de coisa alguma. É como dizer que graças às torradeiras podemos esquecer Tchékhov.De facto, suponho que onde a ciência e a religião mais se aproximam para o cristão não é naquilo que dizem sobre o mundo, mas no acto da imaginação criativa que ambos os projetos envolvem – um ato criativo cuja fonte o crente encontra no Espírito Santo. Cientistas como Heisenberg ou Schrödinger são artistas supremamente imaginativos, que no que ao universo diz respeito estão cientes de que o elegante e belo tem mais probabilidade de ser verdadeiro do que o feio e disforme. De um ponto de vista científico, a verdade cósmica é, no sentido mais profundo, uma questão de estilo, como Platão, Wilde e Keats sabiam.Para a teologia cristã, Deus é aquele que, pelo seu amor, sustenta todas as coisas no ser, e que continuaria a sê-lo ainda que o mundo não tivesse princípio. A criação não trata de fazer aparecer coisas: Deus é a condição de possibilidade de qualquer entidade. Dado não ser Ele próprio um qualquer tipo de entidade, não devemos pensá-lo ao lado dessas coisas, do mesma maneira que a minha inveja e o meu pé esquerdo não constituem um par de objetos.

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