Nunca foi meu objetivo apresentar um argumento teológico baseado na ciência – aguardo o dia em que se levante um pedaço da física quântica e se descubra que ela é sustentada por uma física ainda mais bizarra. A questão é que o pensamento religioso é influenciado por um tipo de pensamento científico que está duzentos ou trezentos anos atrasado. Essa ciência antiga era apta a expor e denunciar o impossível; prestou muitos serviços, mas também causou muitos danos. Estabeleceu limites racionalistas para o que podia ser acreditado, limites que são ainda amplamente respeitados, embora pouco do que sabemos e fazemos hoje satisfaça as noções do século XVIII sobre o que é possível. É claro que ainda é razoável e necessário dizer que existem impossibilidades efetivas. As nossas certezas confortáveis — se uma coisa está num lugar, não pode estar noutro ao mesmo tempo; as dimensões que são a arquitetura da nossa existência são todas as dimensões que existem, e por aí fora — são questionáveis. Sabemos o que precisamos de saber para viver: as vacas dão leite, os martelos pregam pregos, os livros devem ser devolvidos à biblioteca. Mas sabemos que as formas e os teatros da existência são totalmente alheios a isso. Qualquer padrão razoável de possibilidade declarar-nos-ia impossíveis.Desejo apenas dizer que os argumentos racionalistas que pretendem eliminar o implausível e o absurdo aplicando o malho do senso comum são produtos de uma educação deficiente. As religiões são expressões de uma sã intuição humana de que existe algo além do Ser tal como o experienciamos aqui. O que muitas vezes é descrito como um sentido do transcendente pode, em alguns casos, ser a intuição do real. Portanto, as religiões estão absolutamente certas em conceptualizá-lo em termos que transcendem a linguagem do senso comum. Os racionalistas parecem turistas num país cuja língua não falam e que pensam que se podem fazer entender gritando.Infelizmente, muitos religiosos abandonaram a sua própria linguagem, a sua beleza, subtileza e poder, acomodando-se às expectativas utilitaristas destes exigentes forasteiros que não compreendem a língua nem a cultura e se recusam, por princípio, a aprendê-las.

Nunca foi meu objetivo apresentar um argumento teológico baseado na ciência – aguardo o dia em que se levante um pedaço da física quântica e se descubra que ela é sustentada por uma física ainda mais bizarra. A questão é que o pensamento religioso é influenciado por um tipo de pensamento científico que está duzentos ou trezentos anos atrasado. Essa ciência antiga era apta a expor e denunciar o impossível; prestou muitos serviços, mas também causou muitos danos. Estabeleceu limites racionalistas para o que podia ser acreditado, limites que são ainda amplamente respeitados, embora pouco do que sabemos e fazemos hoje satisfaça as noções do século XVIII sobre o que é possível. É claro que ainda é razoável e necessário dizer que existem impossibilidades efetivas. As nossas certezas confortáveis — se uma coisa está num lugar, não pode estar noutro ao mesmo tempo; as dimensões que são a arquitetura da nossa existência são todas as dimensões que existem, e por aí fora — são questionáveis. Sabemos o que precisamos de saber para viver: as vacas dão leite, os martelos pregam pregos, os livros devem ser devolvidos à biblioteca. Mas sabemos que as formas e os teatros da existência são totalmente alheios a isso. Qualquer padrão razoável de possibilidade declarar-nos-ia impossíveis.Desejo apenas dizer que os argumentos racionalistas que pretendem eliminar o implausível e o absurdo aplicando o malho do senso comum são produtos de uma educação deficiente. As religiões são expressões de uma sã intuição humana de que existe algo além do Ser tal como o experienciamos aqui. O que muitas vezes é descrito como um sentido do transcendente pode, em alguns casos, ser a intuição do real. Portanto, as religiões estão absolutamente certas em conceptualizá-lo em termos que transcendem a linguagem do senso comum. Os racionalistas parecem turistas num país cuja língua não falam e que pensam que se podem fazer entender gritando.Infelizmente, muitos religiosos abandonaram a sua própria linguagem, a sua beleza, subtileza e poder, acomodando-se às expectativas utilitaristas destes exigentes forasteiros que não compreendem a língua nem a cultura e se recusam, por princípio, a aprendê-las.

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