Os judeus helenísticos falavam de uma criação divina "a partir do nada", mas não num sentido ontológico e de modo algum excluía a aceitação de uma matéria eterna para o mundo. Assim, a proposição da criação do mundo "a partir do nada" não possui, desde o princípio, o significado que lhe associamos hoje. Se examinarmos as fontes cristãs primitivas, torna-se evidente que a tese da 'creatio ex nihilo', no seu sentido pleno e próprio, enquanto afirmação ontológica, só surgiu quando se pretendia, por oposição à ideia de formação do mundo a partir de matéria sem origem, exprimir a omnipotência, a liberdade e a unicidade de Deus. O conceito de creatio ex nihilo pressupõe uma alternativa concebível e, no contexto intelectual do cristianismo primitivo, isto significa que é formulado como uma antítese ao modelo grego de formação do mundo. O oposto da cosmologia filosófica deve, naturalmente, ser visto dialeticamente: a doutrina da creatio ex nihilo rompe de facto com os princípios da metafísica filosófica, mas só pode ser articulada dentro da estrutura de referência desta última e utilizando os seus termos. As pré-condições intelectuais para a formulação da doutrina da creatio ex nihilo foram alcançadas pela teologia cristã no século II. É uma questão em si mesma a razão pela qual Fílon de Alexandria, possuindo a necessária formação filosófica, não tinha anteriormente caracterizado as ideias bíblicas da criação como creatio ex nihilo. Os gnósticos cristãos trazem à tona a questão da origem do cosmos. Nas suas exposições de cosmogonia, tanto podem recorrer ao modelo platónico de formação do mundo como desenvolver especificamente a ideia de creatio ex nihilo. Ao mesmo tempo, a teologia ‘ortodoxa’, tal como é retrospectivamente julgada, começa com crescente intensidade a debater com a tradição filosófica. Ao fazê-lo, os principais teólogos deste campo entendem inicialmente a criação à maneira platónica, como formação do mundo. Só na segunda metade do século II a teologia da Igreja desenvolve, por oposição à cosmologia filosófica e à gnose platónica, a doutrina da creatio ex nihilo em sentido estrito, que na Igreja rapidamente adquire uma validade quase incontestável.

Os judeus helenísticos falavam de uma criação divina "a partir do nada", mas não num sentido ontológico e de modo algum excluía a aceitação de uma matéria eterna para o mundo. Assim, a proposição da criação do mundo "a partir do nada" não possui, desde o princípio, o significado que lhe associamos hoje. Se examinarmos as fontes cristãs primitivas, torna-se evidente que a tese da 'creatio ex nihilo', no seu sentido pleno e próprio, enquanto afirmação ontológica, só surgiu quando se pretendia, por oposição à ideia de formação do mundo a partir de matéria sem origem, exprimir a omnipotência, a liberdade e a unicidade de Deus. O conceito de creatio ex nihilo pressupõe uma alternativa concebível e, no contexto intelectual do cristianismo primitivo, isto significa que é formulado como uma antítese ao modelo grego de formação do mundo. O oposto da cosmologia filosófica deve, naturalmente, ser visto dialeticamente: a doutrina da creatio ex nihilo rompe de facto com os princípios da metafísica filosófica, mas só pode ser articulada dentro da estrutura de referência desta última e utilizando os seus termos. As pré-condições intelectuais para a formulação da doutrina da creatio ex nihilo foram alcançadas pela teologia cristã no século II. É uma questão em si mesma a razão pela qual Fílon de Alexandria, possuindo a necessária formação filosófica, não tinha anteriormente caracterizado as ideias bíblicas da criação como creatio ex nihilo. Os gnósticos cristãos trazem à tona a questão da origem do cosmos. Nas suas exposições de cosmogonia, tanto podem recorrer ao modelo platónico de formação do mundo como desenvolver especificamente a ideia de creatio ex nihilo. Ao mesmo tempo, a teologia ‘ortodoxa’, tal como é retrospectivamente julgada, começa com crescente intensidade a debater com a tradição filosófica. Ao fazê-lo, os principais teólogos deste campo entendem inicialmente a criação à maneira platónica, como formação do mundo. Só na segunda metade do século II a teologia da Igreja desenvolve, por oposição à cosmologia filosófica e à gnose platónica, a doutrina da creatio ex nihilo em sentido estrito, que na Igreja rapidamente adquire uma validade quase incontestável.

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