As antiquíssimas concepções convencionais sobre Agostinho são bastante verdadeiras: nasceu durante o reinado de Constâncio II, num mundo romano assolado por exércitos estrangeiros nas suas fronteiras, mas fundamentalmente seguro, e morreu durante o reinado de Teodósio II numa parte do império que já não reconhecia a influência de Constantinopla, numa cidade rodeada de exércitos sitiantes que todos concordavam serem de origem “bárbara” e que capturariam a sua cidade e a sua província pouco depois da sua morte. No mundo da sua juventude, era ainda fácil imaginar um mundo sem cristianismo; no mundo da sua velhice, isso começava a tornar-se impossível. Agostinho continuou a viver no mundo imaginário da sua juventude e nunca compreendeu totalmente as implicações de uma sociedade cristianizada. Viveu a maior parte da sua vida como membro de uma minoria religiosa ou outra, e, no entanto, os seus escritos tiveram uma enorme influência entre os seus seguidores que, em épocas muito diferentes, ocupavam uma posição de incontestável domínio.O mundo físico de Agostinho era muito mais pequeno do que todo o Império Romano. Com exceção de alguns anos em Itália na década de 380, viveu a sua vida principalmente em três lugares: Tagaste, Hipona e Cartago. As suas viagens para outros locais no Norte de África foram poucas e limitadas. Embora as suas palavras tenham viajado amplamente, as suas limitações espaciais são importantes de recordar, principalmente porque o mantiveram principalmente no Norte de África, mais urbanizado e costeiro, longe dos altos planaltos e da fronteira, longe dos distritos onde predominava uma forma de vida mais rústica e talvez uma forma mais nativa de religião.O próprio Agostinho é uma figura cuja vida conhecemos demasiadamente bem. Ofereceu-nos uma variedade tão grande de materiais, de tão elevada qualidade, para reconstruir a sua vida que seria quase impossível não os utilizar, com gratidão, para nosso próprio proveito. No entanto, quando a eles recorremos, é igualmente quase impossível não os utilizar para contar a história da forma como ele gostaria que a contássemos – e é precisamente aí que reside o perigo.

As antiquíssimas concepções convencionais sobre Agostinho são bastante verdadeiras: nasceu durante o reinado de Constâncio II, num mundo romano assolado por exércitos estrangeiros nas suas fronteiras, mas fundamentalmente seguro, e morreu durante o reinado de Teodósio II numa parte do império que já não reconhecia a influência de Constantinopla, numa cidade rodeada de exércitos sitiantes que todos concordavam serem de origem “bárbara” e que capturariam a sua cidade e a sua província pouco depois da sua morte. No mundo da sua juventude, era ainda fácil imaginar um mundo sem cristianismo; no mundo da sua velhice, isso começava a tornar-se impossível. Agostinho continuou a viver no mundo imaginário da sua juventude e nunca compreendeu totalmente as implicações de uma sociedade cristianizada. Viveu a maior parte da sua vida como membro de uma minoria religiosa ou outra, e, no entanto, os seus escritos tiveram uma enorme influência entre os seus seguidores que, em épocas muito diferentes, ocupavam uma posição de incontestável domínio.O mundo físico de Agostinho era muito mais pequeno do que todo o Império Romano. Com exceção de alguns anos em Itália na década de 380, viveu a sua vida principalmente em três lugares: Tagaste, Hipona e Cartago. As suas viagens para outros locais no Norte de África foram poucas e limitadas. Embora as suas palavras tenham viajado amplamente, as suas limitações espaciais são importantes de recordar, principalmente porque o mantiveram principalmente no Norte de África, mais urbanizado e costeiro, longe dos altos planaltos e da fronteira, longe dos distritos onde predominava uma forma de vida mais rústica e talvez uma forma mais nativa de religião.O próprio Agostinho é uma figura cuja vida conhecemos demasiadamente bem. Ofereceu-nos uma variedade tão grande de materiais, de tão elevada qualidade, para reconstruir a sua vida que seria quase impossível não os utilizar, com gratidão, para nosso próprio proveito. No entanto, quando a eles recorremos, é igualmente quase impossível não os utilizar para contar a história da forma como ele gostaria que a contássemos – e é precisamente aí que reside o perigo.

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