O domínio dos mitos presta-se às mais variadas perspectivas. De facto, os espíritos mais diversos apresentaram interpretações pois o mito parece permitir a validação de qualquer filosofia.Um historiador racionalista vê no mito um relato completo das mais célebres dinastias. Não é verdade que encontramos nos mitos a história de reis e reinados? Nessa perspectiva, poder-se-iam datar até os trabalhos de Hércules, ou traçar com detalhe o itinerário dos Argonautas. Para um linguista, parece claro que as palavras dizem tudo: as lendas, afinal, formam-se em tomo de uma locução. Uma única palavra deformada, eis um deus a mais. O Olimpo não é senão uma gramática que regula as funções dos deuses. Se heróis e deuses transpõem uma fronteira linguística, acabam por transformar um pouco o seu carácter, e o mitólogo tem de estabelecer dicionários que lhe permitam, contorcendo-se sob o génio de duas línguas, decifrar duas vezes a mesma história. Se, pelo contrário, se trata de um sociólogo, então o mito passa a manifestar um meio social, um meio em parte real, em parte idealizado, um meio primitivo, onde, num instante, o chefe é confundido com um deus.Todas essas interpretações, que poderiam ser estudadas ao longo de uma história, reavivam-se sem cessar. Parece que uma doutrina dos mitos não pode eliminar absolutamente nada daquilo que, durante um certo tempo, se constituiu-se tema explicativo. Entre o herói solar e o herói humano, por exemplo, a competição não foi nunca verdadeiramente extinta. A imensa natureza explica a natureza profunda do homem, e, correlativamente, os sonhos dos homens ''projectam-se", invencíveis, sobre os grandes fenómenos do Universo. E a mitologia toma-se uma sequência de poemas; é compreendida, amada, continuada pelos poetas. Há melhor prova de que os valores míticos permanecem vivos? E uma vez que os mitos acolhem as mais diferentes explicações, há melhor prova de seu carácter essencialmente sintético? De facto, na sua simplicidade aparente, o mito enlaça e solidariza forças psíquicas múltiplas. Todo o mito é um drama humano condensado. É por essa razão que todo o mito pode, tão facilmente, servir de símbolo para uma situação dramática actual.

O domínio dos mitos presta-se às mais variadas perspectivas. De facto, os espíritos mais diversos apresentaram interpretações pois o mito parece permitir a validação de qualquer filosofia.Um historiador racionalista vê no mito um relato completo das mais célebres dinastias. Não é verdade que encontramos nos mitos a história de reis e reinados? Nessa perspectiva, poder-se-iam datar até os trabalhos de Hércules, ou traçar com detalhe o itinerário dos Argonautas. Para um linguista, parece claro que as palavras dizem tudo: as lendas, afinal, formam-se em tomo de uma locução. Uma única palavra deformada, eis um deus a mais. O Olimpo não é senão uma gramática que regula as funções dos deuses. Se heróis e deuses transpõem uma fronteira linguística, acabam por transformar um pouco o seu carácter, e o mitólogo tem de estabelecer dicionários que lhe permitam, contorcendo-se sob o génio de duas línguas, decifrar duas vezes a mesma história. Se, pelo contrário, se trata de um sociólogo, então o mito passa a manifestar um meio social, um meio em parte real, em parte idealizado, um meio primitivo, onde, num instante, o chefe é confundido com um deus.Todas essas interpretações, que poderiam ser estudadas ao longo de uma história, reavivam-se sem cessar. Parece que uma doutrina dos mitos não pode eliminar absolutamente nada daquilo que, durante um certo tempo, se constituiu-se tema explicativo. Entre o herói solar e o herói humano, por exemplo, a competição não foi nunca verdadeiramente extinta. A imensa natureza explica a natureza profunda do homem, e, correlativamente, os sonhos dos homens ''projectam-se", invencíveis, sobre os grandes fenómenos do Universo. E a mitologia toma-se uma sequência de poemas; é compreendida, amada, continuada pelos poetas. Há melhor prova de que os valores míticos permanecem vivos? E uma vez que os mitos acolhem as mais diferentes explicações, há melhor prova de seu carácter essencialmente sintético? De facto, na sua simplicidade aparente, o mito enlaça e solidariza forças psíquicas múltiplas. Todo o mito é um drama humano condensado. É por essa razão que todo o mito pode, tão facilmente, servir de símbolo para uma situação dramática actual.

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