Em termos lacanianos, a diferença reside entre 'idealização' e 'sublimação': a falsa idolatria idealiza, cega-se a si mesma para as fraquezas do outro – ou melhor, cega-se para o outro enquanto tal, utilizando o amado como uma tela em branco sobre a qual projecta as suas próprias construções fantasmagóricas; enquanto o verdadeiro amor aceita o amado tal como ele ou ela é, simplesmente colocando-o(a) no lugar da 'Coisa', do 'Objecto' incondicional. Como todo o verdadeiro cristão sabe, o amor é obra do amor – o árduo e difícil trabalho de repetidas “desvinculações”, pelas quais, repetidamente, temos de nos libertar da inércia que nos constrange a identificarmo-nos com a ordem particular em que nascemos. Por intermédio da obra cristã do amor compassivo, discernimos naquilo que até então era um corpo estranho, perturbador, tolerado e até modestamente apoiado por nós para que não nos incomodássemos muito, um sujeito, com os seus sonhos e desejos frustrados – é esta herança cristã de “desvinculação” que está ameaçada pelos actuais fundamentalismos, tanto mais terríveis quanto se proclamam cristãos. Não implicará o fascismo, em última análise, o regresso aos costumes pagãos que, ao rejeitarem o amor pelo inimigo, cultivam a plena identificação com a própria comunidade étnica?

Em termos lacanianos, a diferença reside entre 'idealização' e 'sublimação': a falsa idolatria idealiza, cega-se a si mesma para as fraquezas do outro – ou melhor, cega-se para o outro enquanto tal, utilizando o amado como uma tela em branco sobre a qual projecta as suas próprias construções fantasmagóricas; enquanto o verdadeiro amor aceita o amado tal como ele ou ela é, simplesmente colocando-o(a) no lugar da 'Coisa', do 'Objecto' incondicional. Como todo o verdadeiro cristão sabe, o amor é obra do amor – o árduo e difícil trabalho de repetidas “desvinculações”, pelas quais, repetidamente, temos de nos libertar da inércia que nos constrange a identificarmo-nos com a ordem particular em que nascemos. Por intermédio da obra cristã do amor compassivo, discernimos naquilo que até então era um corpo estranho, perturbador, tolerado e até modestamente apoiado por nós para que não nos incomodássemos muito, um sujeito, com os seus sonhos e desejos frustrados – é esta herança cristã de “desvinculação” que está ameaçada pelos actuais fundamentalismos, tanto mais terríveis quanto se proclamam cristãos. Não implicará o fascismo, em última análise, o regresso aos costumes pagãos que, ao rejeitarem o amor pelo inimigo, cultivam a plena identificação com a própria comunidade étnica?

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